quinta-feira, 25 de março de 2010

Através do vidro

Entre os vários postes, árvores e lojas em movimento, eu vi você. Em um desses momentos em que tudo corre depressa e por um segundo para bruscamente, em choque, perante o imprevisto. Eu estava no mesmo ônibus de sempre, sentada na janela. Enclausurada e protegida. E você no movimento das ruas, sons e cheiros. Naqueles poucos segundos te olhei por horas e meu olho como imã fez você olhar para mim. Olhamos e desvíamos. Você que já fez parte das minhas histórias, hoje é alguém que vejo ao longe e desvio os olhos. Os motivos já nem me lembro, só restou essa ausência. Esse sentimento oco de olhar e desviar e procurar por algo que ficou preso junto ao dia em que você foi embora. O ônibus acelerou, você, as árvores e os postes continuaram a 60 por hora. Voltei meus olhos para aquele movimento continuo e sorri em paz.

2 comentários:

Tico Litlle disse...

puxa..triste..intenso..curioso qdo pessoas fazem parte da nossa vida e de repente, viram
"estranhos"..welcome to my world...bjs

Geraldo disse...

Vc termina a crônica “SORRINDO”.O primeiro sentimento que fica é chocante! De indiferença! De descartável! Mas sorriso sempre lembra felicidade, esperança... vc sabe mesmo mexer com a imaginação dos leitores. Parabéns. Gostei muito.

Postar um comentário